Concepções de Ensino

De acordo com as diretrizes curriculares da área de computação e informática, preconizadas pela SBC, os cursos da área podem ser divididos em quatro grandes categorias, não equivalentes entre si:

ü  Cursos que têm predominantemente a computação como atividade fim;

ü  Cursos que têm predominantemente a computação como atividade meio;

ü  Cursos de Licenciatura em Computação e

ü  Cursos de Tecnologia (cursos seqüenciais).

 

Os cursos que têm a computação como “atividade meio” visam à formação de profissionais para desenvolver e aplicar tecnologias da computação na solução de problemas e questões da sociedade e, em particular, das organizações. Eles é que são denominados Bacharelados em Sistemas de Informação – BSI.

A área de Sistemas de Informação é muito ampla, no que diz respeito à tecnologia e às formas de aplicação, e também muito dinâmica, devido ao surgimento massivo de novas tecnologias e das mudanças na forma como as organizações as utilizam em seus processos diários.

Visando a formação de profissionais que tenham espaço neste mercado, alguns referenciais foram norteadores da concepção deste novo currículo de Sistemas de Informação:

ü  A articulação entre teoria e prática, onde as atividades práticas e de laboratório são aspectos fundamentais do curso, de forma a permitir um processo de aprendizado durável, contextualizado e com isto facilitar a entrada do egresso no mercado de trabalho;

ü  A estruturação do currículo de forma a ressaltar a interdisciplinaridade, flexibilidade e transversalidade de temas sociais, tendo em vista, tanto as características evolutivas da Computação e áreas afins, quanto às várias possibilidades de atuação do egresso do BSI.

ü  A aplicação de uma metodologia pedagógica coerente com a proposta pedagógica institucional e adequada à realidade sócio-econômica do discente.

ü  Apoiar ao máximo uma formação extra-curricular de qualidade, através de uma projeto de atividades de extensão que valorize o currículo e o complemente, verdadeiramente.

 

Para que essas concepções sejam efetivadas, propõem-se algumas ações, as quais serão comentadas, de forma individualizada, à luz do projeto pedagógico do curso de Sistemas de Informação, a seguir.

 

Articulações Entre Teoria e Prática

Para desenvolver no aluno um conjunto de habilidades que lhe permitam atuar de forma pró-ativa, crítica, reflexiva e criativa é fundamental que existam mecanismos de integração entre a teoria de sala de aula e a prática profissional.

São estratégias de ensino-aprendizagem adotadas como prática pedagógica no curso, visando à autonomia intelectual e profissional do estudante:

· Estudos de caso: Estudos de caso são relatos de situações reais que podem ser usadas em sala de aula para ilustrar problemas e soluções. Estudos de caso são apresentados para discussão em classe, por grupos, ou mesmo para atividades com caráter mais competitivo. Eles permitem aos alunos praticar os conhecimentos recentemente expostos e obter visões a partir de outras disciplinas. Os casos escolhidos devem ser complexos o bastante para levantar os pontos principais de discussão.

· Pesquisa individual: A pesquisa individual consiste não apenas de realizar leituras sobre um determinado tópico, mas ainda avaliá-los criticamente. A eficiência dessa estratégia pode ser melhorada se for baseada em listas de referências previamente estabelecidas ou mesmo um conjunto de questões que se deseja responder. A vantagem desta abordagem é auxiliar no desenvolvimento autonomia. Porém é uma atividade laboriosa e cujo sucesso depende da motivação do aluno.

· Discussão em grupo: Discussões podem ser utilizadas em vários cenários e ajudam a promover o entendimento sobre diferentes visões que podem surgir na utilização de sistemas de informação. Embora a interação que a estratégia induz seja de grande valor, ela demanda ser estruturada e direcionada por um professor para atingir essas metas.

· Resolução de problemas: A resolução de problemas, tanto em classe quanto fora dela é uma atividade tradicional em disciplinas de cunho teórico. A complexidade desses problemas pode variar de aplicação dos conceitos. A vantagem desta estratégia é a fixação dos conceitos.

· Trabalhos práticos: São uma estratégia fundamental para a fixação dos conteúdos apresentados em sala. Eles são a primeira instância prática dos conteúdos, além de desenvolver habilidades no sentido de resolução de problemas e expressão escrita e oral. A grande vantagem é que, na execução dos trabalhos práticos, o aluno é demandado a demonstrar as habilidades e competências adquiridas.

· Oferta de Disciplinas de Projetos Aplicados: Um projeto têm como característica lidar com problemas mais amplos e que demandam conteúdos de várias disciplinas, além da capacidade de correlacionar esses conteúdos. Por isto, foram inseridas no eixo de formação básica de programação uma seqüência de Projetos Aplicados, focados em aplicativos desktop, web e para dispositivos móveis, e refino de interface gráficas e multimídias. Estas disciplinas exigem que os alunos formem grupos para desenvolver aplicações, de acordo com foco da disciplina, ao longo de um semestre. Esta estratégia obriga o aluno a participar de trabalhos colaborativos em toda a segunda metade da formação, bem como simular as práticas profissionais.

· Uso de Laboratórios: todas as disciplinas de algoritmos, programação e de cunho tecnológico são trabalhadas em laboratório, com a dispo-nibilização de, no máximo, 2 (dois) alunos por máquina. Esta condição é essencial para as demais estratégias anteriormente listadas tenham êxito. Existe também um laboratório específico para o estudo de Redes de Computadores, regido por regulamento e manual de uso próprio.

· Estágio Orientado: Dividido em 4 (quatro) estágios, denotados A, B, C e D, é uma atividade desenvolvida ao logo da segunda metade do curso, em concomitância com os Projetos Aplicados. Com um trabalho orientador por professor em sala de aula, em parceria com o CEMT – Coordenação de Estágios e Mercado de Trabalho, os alunos terão suporte, orientação e convênios que permitam colocar em prática os conteúdos estudados. Faz parte da filosofia institucional inclusive, apoiar ao máximo esta ponte do aluno com o mercado de trabalho.

· Elaboração de Projetos e Projeto Final: Nestas disciplinas o aluno é obrigado a projetar e implementar, em grupo, um sistema completo e funcional, apresentado ao final do curso à uma banca de professores e avaliado segundo regras que constam em regulamento próprio. Nestes componentes obrigatórios, o aluno deve colocar em prática todos os conhecimentos obtidos ao logo de seu curso, para conseguir elaborar um produto final adequado e documentalmente formalizado.


Todas essas estratégias demandam que os alunos desenvolvam habilidades de caráter prático, a despeito das peculiaridades de cada ambiente.


Interdisciplinaridade

Com a fragmentação do conhecimento em disciplinas, os conteúdos estão separados em módulos individualizados, em suas respectivas unidades, criando-se desta forma visões parciais da totalidade. Sabe-se, também, que no mundo real todas as coisas estão relacionadas e que o bom entendimento dessas relações é funda-mental para se ter uma visão de mundo completa, polivalente e crítica.

O Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação é naturalmente trans-disciplinar, pela sua finalidade de estabelecer interfaces para as diversas áreas do conhecimento que usam as tecnologias da informação. Por si só, seu currículo já integraliza diversos conteúdos de matemática, estatística, humanas, informática e de administração; dentro de um contexto globalizado.

O programa institucional, de natureza semipresencial, de Rede de Leitura é um dos maiores veículos do processo de interdisciplinaridade dos cursos da IES. Nele, a aluno se insere em um ambiente de leitura previamente determinado, onde os professores debatem, estimulam, contextualizam e avaliam um livro texto, extra-curricular, recomendado no programa, ao longo do semestre.

Outro ponto forte do currículo, no que tange a interdisciplinaridade, são os Projetos Aplicados e o Projeto Final, onde o aluno se envolve em um ambiente de prática de maior escala temporal, e se vê induzido a misturar diversos conteúdos distintos para conseguir atingir seu produto final.

 

Flexibilização do Conhecimento

Entende-se por flexibilização do conhecimento como a oportunidade do aluno aprender, praticar e se desenvolver por meios não-tradicionais, ou seja, por fora do currículo básico e sem a estrutura padrão de ensino-aprendizagem de professores e alunos. São atividades de flexibilização:

· Iniciação científica: é o primeiro passo para aqueles que tenham a intenção de atuar academicamente ou se envolver em estudos avançados. A participação de alunos do BSI em programas de iniciação científica é natural e oportuna, sendo um elo importante de integração das atividades docentes através de projetos de pesquisa conjuntos.

· Estágio: A realização de estágios é um mecanismo tradicional de formação, aprendizado e inserção no mercado de trabalho.

· Empresa júnior: A participação em atividades da empresa júnior se mostra como um importante instrumento na formação do bacharel em sistemas de informação, tendo em vista a experiência controlada, mas dotada de realismo que ela representa.

· Participação em eventos: Semanas, Jornadas, Congresso e Fóruns de natureza técnico-científica são instrumentos importantes na formação dos alunos, em particular quando estes apresentam trabalhos de sua autoria.

 

Temas Transversais

Segundo os Pareceres nº 8 e nº 2 de 2012, foram estabelecidas as Diretrizes Nacionais para Educação em Direitos Humanos e Ambiental, respectivamente. Para atender estas novas demandas da educação superior, uma série de ações foram pla-nejadas nos âmbitos: institucional, de curso e de unidade curricular.

 A FEUC implantou um projeto institucional intitulado FEUC ECOEFICIENTE, no intuito de chamar a atenção de todos para a necessidade de se utilizar os recursos de forma eficiente, evitando desperdícios. O Projeto tomou dimensão de tamanha importância que tem sido apresentado como uma das grandes ações internas da IES nestes últimos anos.

O projeto conta com ações do tipo:

ü  Compra e troca de sensores de presença para áreas estratégicas;

ü  Troca de torneiras dos banheiros por de acionamento por pressão;

ü  Implantação da coleta seletiva destacando-se a construção de um galpão próprio para seu armazenamento, até sua retirada pela cooperativa contratada;

ü  Recolhimento e uso de águas pluviais nos processos básicos de higienização;

ü  Produção de uma cartilha contendo dicas ecoeficientes, distribuídas aos alunos e funcionários e disponibilizadas nas áreas de circulação da instituição;

ü  Criação de blocos de rascunho ecológicos produzidos com reapro-veitamento de folhas de papel A4 provenientes da reprografia, dos setores administrativos e de doações dos professores;

ü  Efetivação da campanha de recolhimento de computadores e perifé-ricos, cujo destino é remontar máquinas para suprir o processo de inclusão digital do Ensino Fundamental e da Universidade da Terceira Idade (UNATIC);

ü  Construção de um galpão destinado ao recolhimento dos recicláveis provenientes da coleta seletiva;

ü  Destinação correta de lâmpadas fluorescentes queimadas, em parceria com empresa especializada;

ü  Entre outras.

 

Do ponto de vista do curso, a coordenação e os professores do NDE, criaram um projeto anual de temas transversais, chamado de Projeto TransversalO projeto pretende dar início a uma linha de pesquisa do curso, envolvendo professores TP e alunos de IC, que elegerá anualmente um tópico ambiental a ser trabalhado em forma de artigos, resumos, apresentações, cartilhas, mini-mundos, problemas ou estudos de caso; focando no contexto da TI. O objetivo deste material será nortear e apoiar o trabalho dos professores do curso e da instituição para estes virem, anualmente, aprimorando a forma como os temas transversais podem ser trabalhos nas disciplinas.

Os produtos e insumos produzidos por esta pesquisa, e pelo trabalhos desenvolvido pelos docentes em sala, serão formalizados institucionalmente todo ano, através de um encontro no primeiro semestre, em um encontro de TI Verde.

Do ponto de vista de unidade curricular, ou seja, de cada disciplina, muitas ementas já foram revisadas para trabalhar com estes temas transversais. Estas alterações já se encontram disponíveis para consulta nos componentes curriculares deste Projeto Pedagógico de Curso. Objetiva-se que os resultados da pesquisa proposta sirvam como uma ferramenta de atualização contínua destes conteúdos.